De cultura, opressão e apropriações.

Antes de ler o post, vejam a observação [1].

 

Estava eu, há uns 3 meses atrás, lendo uma produção escrita de um grupo de auto-empreendedorismo [2], quando li sobre algo chamado Huna (aqui um texto em português [3]).

Gostei, por que já acompanho algo chamado HOOPONOPONO [4] há alguns anos e acho muitíssimo interessante.

E daí aconteceu de eu achar um site em inglês, escrito por um coaching alemão, e gostei muito do texto dele sobre HUNA [5]. Segundo ele “…Hello. My name is Patrick Stoeckmann. I live in Hamburg, Germany [6]”.

Só que daí começaram minhas inquietações.

Depois de ler um dos textos, fui ler os comentários que estavam abaixo. E me surpreendi com o tom raivoso de duas pessoas que comentavam sobre ele estar enganando as pessoas, por que HUNA não era baseada na mitologia ou na tradição dos kahunas havaianos [7], era uma síntese feita por um americano que até usava alguns elementos e palavras (definições) havaianas, mas que, e bradavam quanto a isso, não era de forma alguma retirada como estava das tradições havaianas, era uma releitura (e foi aí que me intrigou e me “pegou de vez”) de “mais um branco invasor” [8].

Depois de ler tudo isso, vou à Wikipedia e vejo:

“… a palavra [kahuna] foi usada com um significado esotérico ou secreto pelos modernos seguidores de Max Freedom Long e da HUNA, para enfatizar uma posição sacerdotal ou xamânica; contudo os interessados no verdadeiro misticismo havaiano tradicional devem entender que HUNA não é havaiano e todos devem ser cautelosos ao usar este termo.” [9]

HUNA é uma palavra havaiana adotada por Max Freedom (1890 – 1971) em 1936 para descrever sua teoria metafísica, a qual ele ligou aos anciões havaianos kahunas. E que tem também raízes no New Thought [10] e na Teosofia, e que é parte do Movimento New Age.”[11]

Quando li (em inglês) os textos do alemão, achei-os muito bons e não entendi porque os dois havaianos que estavam revoltados nos comentários e percebi que o autor também não entendia muito bem a argumentação dos dois, tentava educadamente responder, mas não entendia.

Daí eu percebi: A dominação. O invasor.
A apropriação de sua cultura por um “invasor bem intencionado” que distorce sua cultura e cria um enorme movimento dizendo estar difundindo (e melhorado…) a cultura do povo dominado.

Fui lendo outros verbetes na Wikipedia e percebendo que os havaianos tiveram invasões de dominadores por todos os lados: de seu território, de sua religião, de seus modos de vida, etc, etc, etc. E viraram “local de turismo de americanos”, dentre outros (sei quase nada sobre os japoneses nas ilhas). E, seria cômico se não fosse trágico, o coach alemão não entendia a indignação dos dois, os “invadidos”. A lógica dele não permitia. Ele era um dos “invasores”, não um dos “invadidos”.

Isso me chocou. Muito.

Por que vou usar o texto do coach alemão [12] e possivelmente vou traduzi-lo para o português, mas a minha leitura sobre ele não será mais a mesma.

E permanecem para mim várias questões: Como se lida com mágoas e revoltas deste quilate que vem de “n” gerações anteriores? Como se harmoniza? Como se apazigua sem demonizar e ao mesmo tempo sem diminuir ninguém?

Cultura? Social? Sociedade? Antropologias? Pessoas?

Nós vamos ter que lidar com isso (e cada vez mais sinto que esta necessidade é universal) para que consigamos viver em paz.

Só a paz é revolucionária.

Mas lidar/tratar com/as nossas feridas também o será.
E é urgente que o façamos.

 

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[1] A maior parte dos textos indicados nesta postagem por links estarão em inglês.

[2] https://www.facebook.com/groups/413381275473771/

[3] http://www.xamanismo.com.br/Teia/SubTeia1192456288It002

[4] http://en.wikipedia.org/wiki/Ho%CA%BBoponopono

[5] http://www.unwrapyourmind.com/the-7-huna-principles-of-life-1-ike/

[6] http://www.unwrapyourmind.com/about/

[7] http://en.wikipedia.org/wiki/Kahuna

[8] http://www.newagefraud.org/smf/index.php?topic=3838.0

[9] “…The word has been given an esoteric or secret meaning by modern followers of Max Freedom Long and Huna to emphasise a priestly or shamanic standing; however, those interested in true Hawaiian traditional mysticism must understand that “Huna” is not Hawaiian and should be wary of anyone using the term.”http://en.wikipedia.org/wiki/Kahuna

[10] http://en.wikipedia.org/wiki/New_Thought

[11]Huna is a Hawaiian word adopted by Max Freedom Long (1890–1971) in 1936 to describe his theory of metaphysics which he linked to ancient Hawaiian kahuna (experts). With roots in New Thought and Theosophy, it is part of the New Age movement.”  http://en.wikipedia.org/wiki/Huna_(New_Age)

[12] http://www.unwrapyourmind.com/the-7-huna-principles-of-life-1-ike/

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