De transformações, transmutações, e renascimentos.

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Gosto muito de um livro que adquiri há pelo menos 20 anos atrás, “Cartas Xamânicas“, de Jamie Sams e David Carson, “a descoberta do poder através da energia dos animais“.

E me lembrei de três deles hoje, em razão de um post no Facebook da Canela Borges para seu projeto “Nós da Rede” do Empreender-se da Laboriosa 89:  borboleta, cobra e  morcego. [1]

Jamie Sams fala da borboleta tendo como palavra-chave “a transformação”.

O poder de cura da borboleta seria a capacidade de se conhecer a própria mente e mudá-la, clareando-a, usando o ar – poderes mentais – desta energia. E observar sua própria posição no seu ciclo de auto-transformação, em qual etapa de sua vida você estaria. Estaria no estágio de ovo (o início de todas as coisas)? De larva (o ponto onde você coloca suas ideias no mundo)? De casulo (o momento em que você vai para dentro de si “gestar” seu projeto)? De abandono da crisálida (o nascimento de seu projeto para o mundo)?
Neste último, segundo ela, estaria a hora de voar, de compartilhar suas alegrias e as cores de sua criação com as pessoas [2].

E é muito intensa a noção de que as transformações que sua vida tem quando a energia da borboleta voa por ela são profundas.

Mas o importante é notar que sua vida sempre está em processo de transformação, que é um ciclo sem fim de auto-transformação. Mas há de ser sempre uma espiral “para cima”, ao infinito céu, e não uma que volta aos mesmo lugar, ou que vai “para baixo” ao infinito inferno.

Se sua espiral é “circular” ou “descendente” estará na hora de você ir ao encontro da cobra.

Ela fala da cobra tendo como palavra-chave “transmutação”.

O poder de cura da cobra representa o poder de criação, engloba a sensualidade, a energia psíquica, a alquimia, a reprodução, a ascensão.

Passa-se da etapa de pura transformação e passa-se à etapa de transmutação de todos venenos, sejam eles de natureza física, mental, emocional ou espiritual.

A troca de pele da cobra simboliza, e faz, esta transmutação, este viver-morrer-renascer. A energia da cobra é a energia da totalidade da consciência cósmica e da capacidade de viver (e aprender) todas as experiências de peito aberto, sem oferecer resistências, de entrar no fluxo cósmico que está na Terra. Que faz acontecer a consciência de que todos o elementos da criação possuem o mesmo valor.

Aqui não se fala mais de uma transformação em sua vida, se fala da transformação da sua vida.

Nesta estágio, a pessoa percebe que o que se pode chamar de veneno também é algo que pode ser transformado em energia positiva transformadora. Neste estágio se dá fundamentalmente o TAO, a fusão das energias feminina e da masculina, gerando um novo fluxo de energia, uma energia universal. Que só poderá ser realizada em você se você (se) aceitar e harmonizar todos os aspectos de sua vida, transformando seu ser.

Aqui a energia usada é a do fogo, gerando no plano material paixão, desejo, procriação, vitalidade física; no emocional, sonhos, ambição, criatividade, coragem; no mental, inteligência, poder, carisma; no espiritual, sabedoria, compreensão, sentimento de integração com o Todo e de conexão com o criador(a).

Com isso passa-se para outro nível de consciência.

Mas tem quem queira ir além. E daí aparece o morcego.

A palavra-chave do morcego é “renascimento“.

Não só no sentido de “reencarnação”, mas também no sentido de que estamos sempre renascendo em nossa vida do dia a dia.

Mas aqui o conceito é o da “morte xamânica”, o “ritual no qual o xamã sofre uma morte simbólica que o transporta para uma dimensão superior do conhecimento, na qual ele aprende os segredos dos rituais de cura“, mas sobretudo onde ele encontra o que está além de qualquer dualismo, o que está além do “ou eu, ou nós”, onde ele encontra a sabedoria. Suas personas se vão, o indivíduo se vai, e só fica a pessoa.

Na tradição antiga de xamãs como homens da cura, os rituais eram bastante violentos, tanto para o corpo, como para o mental como para o espírito. Diz Jamie Sams neste livro que dificilmente hoje em dia haveria condições de alguém passar por este ritual e sair mentalmente são.

A ideia básica dos rituais era que o “eu” e a personalidade mundana fossem destruídos. [3]
Mas eram usados nos finais dos rituais (que variavam conforme a tribo que o fazia) o ser enterrado em uma cova escura (mas com lugar para respirar) por um dia. E isso evoca a caverna, e a magia, do morcego.

O “pendurar-se de cabeça para baixo” dos morcegos equivale ao eliminar o ego antigo, fazendo acontecer o nascimento de um novo ser. E isso implica abandono de um padrão de comportamento que não lhe é mais adequado, velhos hábitos, novas responsabilidades, novas funções de vida. Ou mesmo, para alguns, um processo iniciático.

De “nada muda” para transformações. Depois para transmutações. E as vezes, renascimentos.

Várias vezes, por vários caminhos, o Universo lhe pede para mudar. Para assumir seu presente. E através disso, seu futuro.

Mas muitas vezes a dor vence. Mas daí anoitece. E outro presente aparece. Aproveite.

Como termina Jamie Sams, “morcegos voam à noite e seus sonhos nascem a noite. São estes sonhos que constroem as gerações futuras; alimente-os bem, portanto.”

 

CycleLife-Willow Arlenea-www.designsbywillowcom

 

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[1] este post é uma interpretação minha sobre a leitura destes animais neste livro e reflexões (minhas) sobre isso, adicionadas a leituras de posts de outras pessoas no Facebook.

[2] segundo Jamie Sams (página 79), para se descobrir em que estágio sua ideia/projeto está: estágio de ovo (esta é apenas uma ideia ou será um anseio verdadeiro?); estágio de larva (tenho que tomar uma decisão?); estágio do casulo (estou me esforçando para viabilizar a concretização de minha ideia?); estágio de nascimento (estou compartilhando com os outros a ideia a ser materializada?).

[3] uma descrição rápida dos rituais estão à página 227 e 228.

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